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Exemplos dentro do prompt: por que mostrar funciona melhor que explicar

Um exemplo de entrada e saída corrige mais coisa que três parágrafos de instrução. Quantos usar, como escolher e o vício que eles criam.

Exemplos dentro do prompt: por que mostrar funciona melhor que explicar

Você pode escrever três parágrafos explicando o tom que quer, ou colar um texto e dizer "assim". O segundo funciona melhor, e a diferença não é pequena.

Isso tem nome: few-shot, ou prompt com poucos exemplos. Na prática é o mesmo que treinar alguém mostrando o trabalho pronto em vez de descrever o trabalho.

Por que o exemplo ganha da explicação

Explicação é abstrata e cada leitor concretiza de um jeito. "Tom informal" pode virar gíria, pode virar emoji, pode virar frase de efeito. O exemplo elimina a interpretação: ele mostra o comprimento da frase, a pontuação, o vocabulário, o que entra e o que fica de fora, tudo ao mesmo tempo e sem você precisar nomear nada disso.

Exemplo também carrega o que você nem sabia que queria. Ninguém escreve "use dois pontos em vez de travessão" numa instrução, mas o exemplo carrega essa escolha junto.

O formato que funciona

Entrada e saída, sempre em par, sempre com o mesmo rótulo.

Classifique o comentário em: elogio, reclamação, dúvida ou sugestão.

Comentário: "chegou antes do prazo, muito bom"
Categoria: elogio

Comentário: "vocês entregam para Manaus?"
Categoria: dúvida

Comentário: "o produto é bom mas a caixa veio amassada"
Categoria: reclamação

Comentário: "{{comentario}}"
Categoria:

Terminar o prompt no rótulo vazio, como está ali no fim, é o detalhe que mais ajuda. O modelo continua o padrão em vez de começar uma resposta nova, e a saída vem sem introdução nem explicação.

Quantos exemplos

Dois ou três resolvem a maioria dos casos. Um só costuma ser lido como caso particular, não como padrão.

Mais de cinco raramente melhora, e passa a atrapalhar quando os exemplos são parecidos demais entre si: o modelo aprende o assunto dos exemplos em vez de aprender a regra.

situaçãoquantos
formato simples, como classificar em quatro rótulos2
formato com estrutura, como uma ficha com cinco campos3
tom de voz de marca2 exemplos longos valem mais que 6 curtos
regra com exceção3, sendo um deles a exceção

Escolha os exemplos difíceis

O erro comum é escolher os casos mais fáceis, os que já dariam certo sem exemplo nenhum. O exemplo rende quando ele resolve a dúvida de fronteira.

Se a diferença entre reclamação e sugestão é o que confunde, o exemplo tem que ser um comentário que fica no meio dos dois, com a classificação que você quer e, se precisar, uma linha explicando por quê.

Comentário: "seria bom se tivesse opção de retirar na loja"
Categoria: sugestão
Motivo: pede algo que não existe, não reclama do que existe.

O vício que os exemplos criam

Exemplo é imitado inteiro, inclusive no que você não queria. Se os três exemplos falam de entrega, a saída vai puxar para entrega mesmo quando a entrada é sobre preço. Se os três têm quatro linhas, a saída vai ter quatro linhas mesmo quando duas bastariam.

Dois cuidados resolvem:

  1. Varie o assunto entre os exemplos, mesmo que a estrutura seja idêntica.
  2. Se o comprimento não deve ser fixo, escreva a regra explícita: "o tamanho da resposta acompanha o tamanho da entrada".

Quando o exemplo atrapalha

Em tarefa criativa aberta, exemplo vira teto. Se você pede dez nomes de produto e mostra três, os dez vão orbitar os três. Nesse caso, ou você não dá exemplo, ou dá exemplos de propósito distantes entre si e diz: estes são três caminhos diferentes, quero um quarto.

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