Framework de prompt é uma lista de conferência com nome bonito. A utilidade real não é a sigla, é não precisar lembrar do zero o que colocar quando a tela está em branco. Estes quatro cobrem quase tudo o que aparece no dia a dia.
RTF: papel, tarefa, formato
O mais curto dos quatro. Serve para pedido rápido, de uma etapa só, quando você já sabe o que quer e só precisa que a resposta chegue arrumada.
Papel: você é um analista de dados.
Tarefa: explique o que esta variação de 12% na taxa de cancelamento pode indicar.
Formato: três hipóteses, cada uma com o dado que confirmaria ou descartaria ela.
Quando usar: pergunta pontual, e-mail, resumo, explicação. Quando não usar: qualquer coisa que dependa de contexto do seu negócio, porque RTF não tem onde colocar contexto.
RACE: papel, ação, contexto, execução
RTF com contexto no meio e um pedido explícito de como executar. É o passo natural quando o RTF começa a devolver resposta genérica.
Papel: você é um gerente de suporte.
Ação: escreva a resposta para o cliente abaixo.
Contexto: cliente no plano anual, terceiro chamado do mês sobre lentidão, já recebeu desconto uma vez.
Execução: no máximo 5 linhas, sem prometer prazo, e ofereça a chamada de vídeo como próximo passo.
Quando usar: tarefa operacional recorrente, em que o contexto muda e o resto do prompt fica igual. É o formato que melhor vira template com variáveis.
CO-STAR: contexto, objetivo, estilo, tom, público, resposta
O mais completo para conteúdo. Ele separa estilo de tom, que é uma distinção que parece preciosismo até você ver a diferença: estilo é a construção da frase, tom é a emoção que ela carrega. Um texto pode ser técnico no estilo e caloroso no tom.
Contexto: somos uma marca de café em grão vendendo direto ao consumidor. Chegou o lote de safra nova.
Objetivo: anunciar o lote e gerar a primeira compra de quem já assina a newsletter.
Estilo: frases curtas, sem adjetivo empilhado, com dado concreto sobre a origem.
Tom: entusiasmado sem exagero, como quem conta uma novidade para um amigo.
Público: assinantes que já compraram pelo menos uma vez e conhecem o vocabulário de café.
Resposta: e-mail com assunto, primeira linha de pré-visualização, três parágrafos e um botão.
Quando usar: qualquer coisa que vá ser publicada com o nome da marca. É o que mais reduz retrabalho de revisão.
CRISPE: capacidade, contexto, tarefa, personalidade, experimento
O diferencial do CRISPE é o último item: pedir mais de uma versão com abordagens diferentes, de propósito, para você comparar antes de escolher.
Capacidade: você é um estrategista de produto com prática em marketplace.
Contexto: temos 400 vendedores, 30% publicam menos de um item por mês.
Tarefa: proponha como aumentar a frequência de publicação.
Personalidade: direto, disposto a discordar da premissa se ela estiver errada.
Experimento: dê três propostas, uma conservadora, uma agressiva e uma que ninguém pediu.
Quando usar: problema aberto, decisão que ainda não foi tomada, brainstorm em que você quer sair do óbvio.
O mesmo pedido nos quatro
Pedido: uma descrição para um prompt de geração de imagem publicado no catálogo.
| framework | o que ele adiciona | quando compensa |
|---|---|---|
| RTF | papel e formato | você quer só ver como fica |
| RACE | o contexto do catálogo | a descrição precisa combinar com as outras |
| CO-STAR | público e separação entre estilo e tom | a descrição vai ranquear na busca |
| CRISPE | três versões para comparar | você ainda não decidiu o tom da marca |
O que nenhum framework resolve
Nenhum dos quatro inventa contexto que você não tem. Se você não sabe quem é o público, escolher CO-STAR não vai descobrir isso por você, vai só criar um campo vazio no meio do prompt.
E nenhum deles substitui o exemplo. Quando o formato é difícil de descrever, uma amostra de saída boa vale mais que a sigla inteira.


